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quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Futebol Nacional> Corinthians pode ir ao STJD contra Paraná

* Time paulista analisa pegar carona em denúncia do Náutico. Tudo contra o rebaixamento.

O Corinthians vai analisar juridicamente a possibilidade de entrar com uma queixa no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) contra o Paraná Clube. O Timão iria no encalço do Náutico, que há um mês denunciou ao Tribunal que o clube paranaense utilizou de forma irregular o meia Batista. O Paraná está com 34 pontos e é o primeiro que se safaria hoje do rebaixamento. Se perder pontos, como pede o Náutico, estaria fadado ao rebaixamento e ajudaria os pernambucanos, o Corinthians, o Atlético-MG, entre outros.


- Vou passar essa história para o jurídico. Agora, se for ajudar o Corinthians, com certeza vamos entrar no STJD. Vou fazer tudo o possível para o Corinthians ficar na primeira divisão - diz o vice-presidente de futebol, Antoine Gebran.


O Náutico, no início de setembro, alegou que Batista havia enfrentado irregularmente São Paulo, Cruzeiro e Juventude. Se confirmado, o Paraná poderia perder até 18 pontos. O problema é que os paranaenses continuaram usando Batista, que inclusive atuou na última rodada, vitória de 3 a 1 sobre o Fluminense. Ele fez um total de sete jogos, podendo perder então 42 pontos.


O Náutico questiona que Batista não pode atuar pelo Paraná, mas apenas pelo Avaí. Foi o time de Santa Catarina que conseguiu uma liminar que liberava o atleta para atuar. Batista conseguiu judicialmente a rescisão com a Adap, do Paraná, e acertou com o Avaí até fevereiro de 2009. Somente depois foi emprestado ao Paraná. Os paranaenses não temem punição.

Galo está de olho no caso Batista

A possível perda de pontos do Paraná passa a interessar à maioria dos clubes que lutam contra o rebaixamento. O Tricolor teria escalado o meia Batista de forma irregular em sete partidas - o que ocasionaria menos 42 pontos -, e a queixa impetrada pelo Náutico vem ganhando novos seguidores.

O Atlético-MG, que pela primeira vez entrou na zona de rebaixamento neste Campeonato Brasileiro, admite que está acompanhando todo o andamento do caso. O Galo pode se beneficiar com a perda dos pontos do Paraná, ganhando uma importante posição na luta contra o descenso.

- Quem entrou com o recurso foi o Náutico, mas o doutor Roberto Vasconcelos (vice-jurídico do Galo) já está acompanhando o caso. E pelas informações que temos, a probabilidade de eles perderem os pontos é muito grande - analisa Beto Arantes, diretor de futebol do Alvinegro.

Mesmo aliviado com as cinco vitórias nas últimas cinco rodadas, o Náutico não esquece o caso. O diretor de futebol do clube, Marcílio Sales, acredita em uma repercussão maior do caso com a entrada de Atlético-MG e Corinthians na zona de rebaixamento.

- Estamos aguardando (as investigações). Acredito que entre o dia dez e o dia 15 deste mês teremos alguma novidade. E conhecendo o futebol brasileiro como eu conheço, com os chamados grandes clubes na zona de rebaixamento, agora é que vão querer investigar o caso direitinho mesmo - diz.

STJD já iniciou as investigações

O inquérito foi aberto no fim de setembro. As investigações estão em seu início. O procurador que preside o caso é Eduardo Machado Costa, de Minas Gerais.

- Foi aberto o inquérito, que nada mais é do que apurar a existência ou não de irregularidades. Na sexta-feira, foi ouvido o Luiz Gustavo, do departamento de registros da CBF, e nesta sexta ouvirei o pessoal da Adap Galo e da Federação Paranaense de futebol - diz Costa.

- O inquérito termina com um relatório, que será encaminhando ao presidente do STJD. Ele, por sua vez, repassa para a procuradoria analisar e esta vai entender se o caso ocasionará um processo ou não - completa.

Eduardo Machado Costa acredita que o prazo máximo para se encerrar todo o caso é meados de novembro, o que impede que termine após o fim do Campeonato Brasileiro. Ele garante que não vai se influenciar por ter outros grandes clubes - o Corinthians também já se manifestou sobre o caso - do cenário nacional interessado nas investigações.

- Quando vai chegando o fim do Brasileiro, começa a briga pelo título, pela Libertadores... Cada um busca uma coisa. E para mim não importa a mínima saber quais clubes estão envolvidos no caso, pois antes de tudo é o meu nome que está em jogo. Sou indicado pela OAB e vivo do meu trabalho. Não quero trazer decepção a ninguém, principalmente às pessoas que me indicaram. Venho presidindo a maioria dos inquéritos e isso mostra que confiam em mim.

A novela

Batista tinha contrato com a Adap de 10 de abril de 2006 a 31 de dezembro de 2007. O atleta entrou na Justiça do Trabalho acusando o clube de estar lhe devendo salários atrasados. No dia 26 de março de 2007, ele conseguiu a liminar que o autorizava a transferir-se para o Avaí.

Porém, de forma misteriosa, o Boletim Informativo Diário (BID) da CBF já registrava Batista como atleta do Paraná no dia 8 de março de 2007. Ou seja, 18 dias antes do volante ter conseguido sua liberação da Adap. Percebido o erro, a CBF reativou o contrato de Batista com a equipe do interior paranaense no dia 27 de março, para em seguida dar baixa no documento e no contrato com o Paraná. Os dois foram rescindidos por ordem judicial. O jogador se transferiu, então, para o Avaí.

O Tricolor faz a sua defesa e afirma que não foi o responsável pelo envio do primeiro contrato de Batista e que só trouxe o jogador em agosto, bem depois de desistir de contratá-lo no início do ano.

Paraná está tranqüilo em relação a Batista

Na disputa cada vez mais acirrada para fugir da zona de rebaixamento do Brasileirão, além de lutar dentro de campo, a equipe do Paraná enfrenta, nos bastidores, a acusação de ter escalado irregularmente o volante Batista na competição. Caso a denúncia seja acatada, o clube paranaense pode ser punido com a perda de mais de 30 pontos, o que representaria a certeza da queda para a Série B.

O STJD mantém o caso sob investigação e novidades podem surgir nos próximos dias. Em meio à divergência, a diretoria dá o caso por concluído.

- Não falamos sobre o caso Batista. Está no STJD, a CBF já disse que está tudo certo. Ponto final – diz o diretor de Futebol José Domingos.

Como a denúncia partiu do Náutico, um rival direto dos paranaenses pela permanência na Série A, a chegada de times de maior porte na base da tabela, como Corinthians e Atlético-MG, pode ser vista como um novo obstáculo no caminho do Paraná Clube. Diante do novo panorama, os dirigentes paranistas mantêm o discurso.

- Pode ter Corinthians, Flamengo, o que for. Não estamos preocupados nem um pouco com isso – complementa Domingos.

fonte: globo.com








Redator:
Marco Miranda

marco_mirand@yahoo.com.br

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