Acabou o ano para o Botafogo. Com remotas chances de conquistar uma vaga na Taça Libertadores, pois está a nove pontos do G-4 no Brasileirão, faltando cinco rodadas para o fim do campeonato, o Alvinegro apostava suas últimas fichas na conquista da Copa Sul-Americana, apesar da derrota por 2 a 0 para o Estudiantes na partida de ida, em La Plata. No Engenhão, o time empatou em 2 a 2 com o time argentino e deu adeus à competição novamente de maneira lamentável, ilustrada pela inacreditável reação do zagueiro Andre Luis ao receber o segundo amarelo na etapa final, dois minutos depois de ter ele mesmo feito o gol de empate.O adversário do Estudiantes nas semifinais é o Argentinos Juniors, que eliminou o Pameiras com duas vitórias: 1 a 0 no Palestra Itália e, diante de uma equipe alviverde com nove reservas, 2 a 0 no estádio Diego Armando Maradona. As partidas estão marcadas para os dias 12 e 19 de novembro. O Alvinegro volta a campo no próximo domingo, para o clássico contra o Flamengo no Maracanã, às 19h10m.
Logo no começo, um balde de água fria
O Botafogo começou a semana encarando a partida como o último suspiro na temporada, a última chance de continuar com chances de conquistar um título em 2009. O sonho, no entanto, durou apenas três minutos. Angelleri aproveitou toque de cabeça de Verón, entrou na área pela direita e chutou cruzado. Renan falhou, e o Estudiantes fez 1 a 0.Apesar de a missão alvinegra ter ficado muito mais difícil, a torcida não parou de incentivar. A equipe correspondia em campo demonstrando vontade, mas pouco fez para alimentar alguma esperança. Aos nove, Lucio Flavio cobrou falta da esquerda, Andújar saiu mal e Carlos Alberto cabeceou por cima. A única chance realmente clara surgiu dos pés do camisa 10 e capitão alvinegro, que aos 27 fez bela jogada individual e chutou com perigo, à esquerda do gol argentino.
A forte chuva que começou a cair acabou sendo um prenúncio de que o pior estava por vir. Aos 33, mais uma vez Verón decidiu. Com um passe perfeito, o volante deixou Salgueiro em condições de dominar e colocar no canto esquerdo, desta vez sem chances para Renan. A missão do Botafogo virou impossível. Cinco minutos depois, o atacante quase ampliou, mas o goleiro alvinegro defendeu.
Foi o suficiente para os torcedores perderem a paciência, principalmente com Renan, Thiaguinho e Triguinho. Aos 42, o lateral-esquerdo recebeu cartão amarelo ao fazer falta em Boselli, mas das arquibancadas o pedido era para o árbitro chileno Cristian Julio expulsá-lo. E não demorou para surgirem os primeiros gritos de "olé" quando o Estudiantes trocava passes.
Empate do Fogão e descontrole de André Luís

Três minutos depois, Renato Silva, um dos poucos jogadores poupados pela torcida, sofreu pênalti. Lucio Flavio cobrou com categoria para diminuir. A pressão alvinegra continuou e surtiu efeito. Com a volta do apoio vindo das arquibancadas, a equipe chegou ao empate. Em escanteio cobrado pelo camisa 10, a bola sobrou para Andre Luis soltar a bomba e marcar o segundo gol carioca.
Mas o que poderia resultar numa eliminação ao menos digna se transformou num fim tragicômico. Depois de fazer falta em Calderón, Carlos Alberto caiu na provocação de Verón, e os jogadores de ambos os times trocaram empurrões. O árbitro puniu com amarelo o capitão do Estudiantes e também Andre Luis, que já havia recebido cartão e seria expulso. Revoltado, uma vez que não foi protagonista da confusão, o zagueiro alvinegro tirou o cartão das mãos de Carlos Chandía, que esboçou uma reação de susto e medo.
Andre Luis acabou e expulso, e o descontrole emocional tomou conta até mesmo do banco de reservas do Botafogo, com integrantes da comissão técnica ameaçando invadir o campo, resultando na expulsão de um médico. Dentro de campo, os jogadores esqueceram de jogar e tentavam a todo custo provocar a expulsão de Verón. Não conseguiram e ainda assistiram, sob a festa dos cerca de 500 torcedores do Estudiantes, ao jogador ser substituído e provocar a torcida botafoguense.
Ficha do jogo
| BOTAFOGO 0 x 0 ESTUDIANTES | |
| Renan, Thiaguinho (Lucas Silva), Renato Silva, Andre Luis e Triguinho (Luciano Almeida); Leandro Guerreiro, Diguinho, Lucio Flavio e Carlos Alberto; Jorge Henrique e Wellington Paulista (Fábio). Técnico: Ney Franco | Andújar, Angeleri, Desábato, Cellay e Díaz; Galván (Sanchez), Braña, Verón (Moreno) e Benítez; Boselli e Salgueiro (Calderón). Técnico: Leonardo Astrada |
| Gols: Angelleri, aos três, e Salgueiro, aos 33, no primeiro tempo; Lucio Flavio, aos 13, e Andre Luis, aos 20, no segundo tempo | |
| Cartões amarelos: Renato Silva, Triguinho, Andre Luis e Jorge Henrique (Botafogo); Salgueiro, Díaz, Verón e Cellay (Estudiantes). Cartão vermelho: Andre Luis (Botafogo) | |
| Estádio: Engenhão Data: 05/11/2008 Árbitro: Carlos Chandía (Chile) Auxiliares: Cristian Julio (Chile) e Sergio Román (Chile) | |
Nesta quinta, Inter encara o Boca na Bombonera
Se a Copa do Brasil não deu o resultado esperado, se o Brasileirão foi frustrante, resta a Copa Sul-Americana para o Inter ter um fim de ano vitorioso. Na matemática, direta e crua, são apenas mais cinco jogos para o clube colorado levantar outro caneco internacional. O problema é que não existem números que resistam ao poderoso Boca Juniors. Às 21h, a bola rola contra um oponente que às vezes parece ter uma aura diferente. E o jogo é na Bombonera, estádio que não causa lembranças nada agradáveis aos gaúchos.
O Inter foi eliminado duas vezes da Sul-Americana em Buenos Aires, com goleadas de 4 a 1 e 4 a 2 para o Boca. O Grêmio também sofreu nas mãos dos xeneizes. No ano passado, levou 3 a 0 na decisão da Libertadores. Por tudo isso, os colorados sabem que precisarão, mais do que tudo, suportar as armadilhas do estádio, que transforma a torcida em figura decisiva no jogo.
Para amenizar as dificuldades, o Inter tem pelo menos dois fatores essenciais: primeiro, a vantagem de 2 a 0 conquistada em Porto Alegre; segundo, o fato de o adversário escalar uma equipe praticamente reserva. Com a vantagem adquirida no Beira-Rio, os colorados podem até perder por dois gols, a partir do 3 a 1. O Boca tem duas alternativas: ou ganha por três gols de diferença, ou devolve o placar de Porto Alegre e decide tudo nos pênaltis.
FICHA TÉCNICA
Local: La Bombonera (Argentina)
Data/Hora: 06/11/08 - 21h (de Brasília)
Árbitro: Óscar Ruiz (COL)
BOCA JUNIORS: García, Barroso, Roncaglia, Forlín e Calvo; Chávez (Cardozo), González, Gaitán e Gracián (Riquelme); Mouche e Figueroa. Técnico: Carlos Ischia
INTERNACIONAL: Lauro, Ângelo (Álvaro), Indio, Bolívar e Marcão; Edinho, Magrão, Guiñazú e D'Alessandro; Nilmar e Alex. Técnico: Tite.
Comentário da Redação
A falta de inteligencia dos brasileiros
Apesar de ter tomado um gol antes dos cinco minutos inciais, e tomado o segundo ainda no primeiro tempo, o Botafogo poderia até ter feito uma virada histórica, após ter conseguido o empate aos 20 minutos do segundo tempo. Todos nós sabemos como o futebol é surpreendente, portanto, três gols em pouco mais de 25 minutos é difícil, porém não é impossível.
Mas a falta de inteligencia dos brasileiros acabou fazendo com o que o Botafogo nem fizesse o terceiro gol, quanto mais o quinto, que precisava para se classificar. Os argentinos vieram com a famosa provocação que costumam fazer, e os brasileiros caíram no joguinho deles.
André Luís, nervosissimo o tempo todo, acabou expulso após fazer uma coisa absurda e inusitada, tomar o cartão amarelo do arbitro, por ter mostrado o cartão à ele. Tudo bem que o André Luís seria expulso do mesmo jeito, pois já tinha amarelo, mas isso é uma atitude lamentável. Acabou prejudicando os companheiros, que estavam empolgados após o gol de empate que o próprio André Luís fez.
O Carlos Alberto foi outro destemperado na etapa final, aceitando a provocação do Verón e quase foi expulso também. O experiente argentino foi o mais caçado em campo, e soube fazer sua provocação, sua encenação... Inclusive foi ele que provocou a expulsão do André Luís.
Apesar do nervosismo, o Carlos Alberto ainda foi um dos melhores pelo lado do Botafogo, mostrou muita vontade e foi o mais lucido no meio-campo. Melhor que ele somente o Renato Silva, que foi o melhor em campo pelo time carioca na minha opinião, tanto que foi o único que a torcida aplaudiu e gritou o nome durante o jogo. O zagueiro foi firme no sistema defensivo, mostrando muita vontade (sem ser desleal igual seu companheiro André Luís), e quando pôde, ainda avançou para o ataque, e acabou sofrendo o pênalti.
É realmente uma triste eliminação do Botafogo, pois poderia estar aqui falando da superação, de uma virada, porque o Bota não desistiu em nenhum momento... Mas estou aqui falando da falta de inteligencia dos brasileiros de cair nesse joguinho dos argentinos. Por isso que o Boca Juniors tem tantas Libertadores.
Quero só ver amanhã se o Internacional também irá cair na catimba do Boca Juniors como o Botafogo caiu. Amanhã é ainda pior para o Inter, pois joga na Argentina. Porém, os brasileiros tem a vantagem de perder por até um gol de diferença, ou perder por até dois, caso faça um. Apesar da dificuldade de jogar lá, Colorado tem a faca e o queijo na mão para se classificar às semi finais.
Direto da Redação
Redator: Pedro Silas
pedro_sccp@yahoo.com.br
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