Quem acordou cedo para acompanhar a partida não precisou de muito tempo para perceber que algo de curioso estava acontecendo. Os jogadores de Camarões corriam tanto que pareciam ser mais do que 11 em campo. Eles estavam em todos os lugares, mesmo com o forte calor que castigava Shenyang. Que disposição!!!
Pela primeira vez no torneio de futebol masculino destas Olimpíadas a seleção brasileira tinha pela frente um adversário de respeito. Sim, porque a Bélgica, rival da estréia, deixou o seu poder de fogo no passado. E o que dizer de Nova Zelândia e China?
A seleção de Camarões foi campeã olímpico em Sydney 2000, quando eliminou o próprio Brasil. Pode até não ser uma potência mundial, mas já deixou claro que não gosta de entrar nas competições para brincar. E acreditem, eles não brincaram nem um segundo durante os primeiros 45 minutos. Sem perder a viagem, faziam faltas quando eram driblados ou perdiam a bola. O jogo físico irritou os brasileiros, o confronto pegou fogo. Canela virou bola. Foram cinco cartões amarelos, mas poderiam ter sido sete, oito. E caberiam três vermelhos, para Marcelo, Baning e Bikey, os mais violentos.
Lances de perigo foram raridade. Os sistemas defensivos superaram os ataques. E a grande decepção da etapa foi Ronaldinho Gaúcho. O meia-atacante se movimentou pouco e quase não tocou na bola. Pouco jogou, fazendo o Brasil sentir a falta do toque genial que havia aparecido contra a Nova Zelândia.
Na volta do intervalo, o "apetite" camaronês pelas canelas brasileiras continuou. Aliás, aumentou. O que mudou foi o comportamento do árbitro Damir Skomina, da Eslováquia. Aos 6, Baning entrou por trás em Lucas e acabou expulso.Mesmo com um a menos em campo, Camarões seguiu correndo por muitos. A seleção brasileira valorizava a posse de bola, tocava pacientemente em busca dos espaços, mas raramente criava chances.
O tempo foi passando, e a pressão brasileira aumentava a cada minuto. O time de Dunga não jogava bem, mas tinha o domínio territorial, até pela vantagem numérica. Ronaldinho Gaúcho reclamava mais das faltas dos adversários do que jogava bola. Quem jogava bem era Ânderson. Incansável, marcava e conduzia o time ao ataque. Grande atuação.
Aos 21, Thiago Neves entrou no lugar de Hernanes. Uma tentativa de aumentar a criatividade da seleção. Deu certo, mas não o suficiente. Apesar de alguns lances perigosos, o jogo acabou indo para a prorrogação.
O fantasma de Sydney 2000 voltaria a atacar?
Não, não desta vez. Depois de 10 minutos de muitas faltas e pouco futebol, a seleção brasileira desencantou. Diego acertou lindo passe para Rafael Sóbis. O atacante, na única chance que teve, invadiu a área e chutou na saída do goleiro Tignyemb para fazer 1 a 0. Sem dar tempo para Camarões respirar, Marcelo, quatro minutos depois, iniciou o lance que culminou no segundo gol brasileiro. Ele tabelou com Thiago Neves e tocou sem defesa.
Com a vantagem, a seleção brasileira diminuiu o ritmo e fez o tempo passar. Camarões ainda tentou, se lançando ao ataque quando tinha a bola e nas canelas brasileiras quando estava sem ela, mas já era tarde demais. A merecida vitória colocava o Brasil nas semifinais.
Ficha do jogo
| BRASIL 2 x 0 CAMARÕES | |
| Renan, Rafinha, Alex Silva, Breno e Marcelo; Hernanes (Thiago Neves), Lucas, Anderson, Diego (Ramires); Ronaldinho Gaúcho e Rafael Sóbis (Jô) | Tignyemb, Ghomsi, Andre Bikey, Song, Nkoulou; Frank Songoo (Ngal), Mbia (Alain Olle) e Baning; Chedjou, Bekamenga (Mboua) e Bebbe. |
| Técnico: Dunga | Técnico: Martin Ndtoungou |
| Gols: Rafael Sóbis, aos 10, e Marcelo, aos 14 minutos do segundo tempo da prorrogação. | |
| Cartões amarelos: Marcelo, Ramires, Breno, Rafinha e Diego (Brasil); Banning, Ngau, Nkoulou, Bekamenga, Bikey, Ghomsi e Song (Camarões) Cartão vermelho: Baning (Camarões) | |
| Estádio: Olímpico de Shenyang Data: 16/08/2008. Árbitro: Damir Skomina (SLO) Auxiliares: Primoz Ahar (SLO) e Marko Stancin (SLO). | |
Fonte: Globo.com
Comentário da Redação
Poderia ser mais fácil
Eu esperava um jogo corrido e bonito de se ver, com muita vontade de ambas as equipes de conseguir o resultado, mas não foi isso que aconteceu. O Brasil não fez boa partida, e se chegou com perigo três vezes durante o jogo, tirando os gols, foi muito.
Mas o adversário conseguiu ser pior. Não criou nada, pelo contrário, só pensou em destruir jogadas, fazer faltas, chegar duro na marcação, enfim, eles não queriam jogar, somente parar os brasileiros. E também por isso, o Brasil estava muito seguro no sistema defensivo, e o jogo poderia durar mais 2h, que dificilmente tomaria um gol.
E o Brasil não aproveitou isso. E parecia também estar feliz com um simples empate contra um time que não assustava. Mesmo após a expulsão do camaronês, Baning, a seleção brasileira continuou tocando a bola sem muito objetivo, e não encontrava espaços.
O Dunga mexeu, colocou o Thiago Neves no lugar do Hernanes, uma boa substituição, que fez o Brasil melhorar, mas pouco. O jogo foi se encaminhando para o final, e o Dunga parecia gostar do resultado, já que tinha Pato no banco, com Ronaldinho e Diego apagados no jogo, sem se apresentarem, e o treinador brasileiro preferiu não mexer e deixar o Sóbis isolado, assim como o Pato ficou nos primeiros jogos.
O fato é que o Brasil, pelo menos na minha visão, dificilmente tomaria gols, e o máximo que poderia acontecer é, nos pênaltis, o Camarões acabar levando. Mas o individual do Brasil falou mais alto na prorrogação. E o Diego, que apesar da vontade que demonstrava, havia sumido do jogo, recuperou a bola e fez um belo passe para o Sóbis, na primeira boa bola que recebeu, mandar firme para o gol e abrir o placar. Em seguida o Marcelo definiu, com um golaço, após belo passe de Thiago Neves.
Na semifinal, terça-feira, o Brasil pega Argentina ou Holanda, que já estão se enfrentando. Eu aposto mais nos hermanos, mas vamos esperar. De qualquer forma, será um jogo muito difícil, e a seleção e o Dunga precisam melhorar para passar à final. Os armadores precisam se apresentar mais para o jogo e o treinador não pode fazer como fez hoje, deixar o Pato os 90 minutos no banco, precisando do resultado.
Conceitos
Renan - BOM: Chegou uma bola só, no final da prorrogação, e o Renan fez bela defesa.
Rafinha - REGULAR: Apenas não comprometeu, não deixou espaços, mas também não jogou como custama jogar.
Alex Silva - REGULAR: Foi bem, mas tem que ficar ligado no seu posicionamento, ele está jogando somente ao lado de um zagueiro. Avança muito e contra um adversário mais perigoso pode se dar mal.
Breno - BOM: Continua seguro na zaga.
Marcelo - BOM: Não brilhou como nos primeiros jogos, mas apareceu no ataque e fez um belo gol. Continua uma ótima opção de surpresa pelo lado esquerdo do ataque.
Hernanes - REGULAR: Hoje não fez grande partida, estava bem discreto.
(Thiago Neves) - BOM: Entrou perdendo algumas bolas, mas se encontrou. Na prorrogação deu o belo passe para o Marcelo fazer o segundo.
Lucas - BOM: Muito boa atuação do Lucas. Marcou muito.
Anderson - BOM: Marcou muito, desarmou, saiu para o jogo... Mas os meias não encostaram nele para fazer tabelas. E foi ele quem deu o primeiro chute ao gol, que foi somente no segundo tempo.
Diego - REGULAR: Sumiu, e quando recebia a bola, perdia. Só não foi pior, pelo passe decisivo que deu para o Sóbis.
(Ramires) - SEM CONCEITO: Entrou já no final da prorrogação.
Ronaldinho - PÉSSIMO: Simplesmente sumiu do jogo. Não se mexeu e matou uns três contra-ataques brasileiro.
Rafael Sóbis - BOM: A primeira bola que recebeu limpa, fez.
(Jô) - SEM CONCEITO: Entrou mais cedo que o Ramires, mas não tem como analisar também.
Tec: Dunga - PÉSSIMO: Poderia ter sido muito mais fácil se não fosse ele. Colocou o Thiago Neves tarde, insistiu em deixar o Pato no banco, mesmo com o Camarões com um a menos e nunca joga com dois atacantes de verdade. É muito medroso e isso pode custar caro na semifinal.
Direto da Redação
Redator: Pedro Silas
pedro_sccp@yahoo.com.br
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