Quem foi ao estádio ver o duelo entre Messi e Ronaldinho acabou vendo o genro de Maradona brilhar: Agüero, que leva o nome da namorada Gianina Maradona na chuteira, fez dois gols e sofreu o pênalti convertido por Riquelme. O time de Dunga perdeu a cabeça no fim do jogo e ainda teve dois jogadores expulsos por faltas violentas no volante Mascherano: Lucas e Thiago Neves.
Atual campeã olímpica, a Argentina encara a Nigéria no sábado, à 1h (de Brasília), na disputa pelo ouro. O Brasil volta a campo contra a Bélgica, sexta-feira, às 8h (de Brasília), em Xangai, para ver quem fica com a medalha de bronze.
Messi mais objetivo que Ronaldinho
No primeiro tempo, a partida ficou concentrada em seus dois principais nomes: Ronaldinho e Messi. Do lado brasileiro, o camisa 10 aparecia mais pelo lado esquerdo, com bom controle de bola, mas sem muita objetividade. As tabelinhas com Marcelo funcionaram poucas vezes, e o novo craque do Milan pecou em prender demais as jogadas.
Messi era mais objetivo. Sempre que pegava na bola, era sinal de perigo. A torcida percebeu isso. No início, Ronaldinho era o mais aplaudido pelos chineses. Com o decorrer do primeiro tempo, os torcedores já gritavam por Messi. E os brasileiros passaram a pará-lo com faltas.
O primeiro chute foi argentino. Aos 2 minutos, Mascherano tentou de fora da área, bem longe. O Brasil respondeu aos 5, com Sobis, que bateu cruzado da esquerda para fora. Pela direita, a seleção de Dunga criava seus principais lances com Rafinha, como aos 11: o lateral deu um lindo drible em Monzon e cruzou rasteiro, mas Sobis passou da bola, sem conseguir tocar nela.
A resposta argentina veio em um minuto. Agüero driblou Breno e Alex Silva na área e chutou rente à trave esquerda de Renan. O último lance de perigo da etapa inicial foi de Messi. O jovem craque aproveitou falha de Rafinha, roubou a bola e entrou na área. Mesmo franzino, ganhou a dividida com Breno na área e chutou bem, mas Renan rebateu. A bola ainda passou perto de Agüero na pequena área, mas o atacante não a alcançou.
Genro de Maradona desequilibra
Enquanto Ronaldinho mal pegava na bola, Messi resolveu partir para cima da zaga de novo. Aos 13, recebeu pelo meio da área, carregou para o lado direito sem receber marcação e tocou para Monzon. O lateral cruzou rasteiro, e Agüero, sozinho na pequena área, colocou a bola para dentro do gol de novo: 2 a 0.
O placar fez Dunga se mexer. O técnico tirou Hernanes e Rafael Sobis para colocar Thiago Neves e Alexandre Pato. E o atacante do Milan chegou a balançar a rede, mas em impedimento: aos 19, Ronaldinho Gaúcho cobrou falta e acertou a trave, Marcelo pegou o rebote e Pato tocou para o gol, mas em posição irregular.
Jô ainda entrou para reforçar o ataque, mas na defesa o Brasil vacilava. Aos 29, Breno fez falta em Agüero dentro da área. Pênalti que Riquelme cobrou aos 30 e converteu: 3 a 0.
O gol acabou com a calma do Brasil. Dois jogadores foram expulsos por falta no volante Mascherano: Lucas, aos 35, e Thiago Neves, aos 38.
Depois, foi só ver a Argentina tocar a bola e ter que esperar mais quatro anos para outra chance de ouro no futebol masculino.
Ficha do jogo
| ARGENTINA 3 x 0 BRASIL | ||
| Romero, Zabaleta, Garay, Pareja, Monzon; Gago, Mascherano, Di Maria, Riquelme (Jose Sosa); Messi e Agüero. | Renan, Rafinha, Alex Silva, Breno, Marcelo; Hernanes (Thiago Neves), Lucas, Anderson, Diego (Jô); Ronaldinho Gaúcho e Rafael Sobis (Alexandre Pato). | |
| Técnico: Sergio Batista. | Técnico: Dunga. | |
| Gols: Agüero, aos 7 e aos 13 do segundo tempo; Riquelme aos 30 do segundo tempo | ||
| Cartões amarelos: Zabaleta, Pareja, Di Maria (ARG); Breno, Hernanes, Anderson, Rafinha (BRA). Cartões vermelhos: Lucas e Thiago Neves (BRA) | ||
| Local: Estádio dos Trabalhadores, em Pequim. Data: 19/08/2008. Árbitro: Martin Vazquez (URU). Auxiliares: Mauricio Espinosa (URU) e Miguel Nievas (URU) | ||
Fonte: Globo.com
Comentário da Redação
Já era de se imaginar...
Após o jogo contra o Camarões, eu falei aqui no blog: Se o Brasil jogar as semi-finais do mesmo modo que jogou as quartas de finais, vai ser eliminado. E não deu outra. O Brasil mais uma vez não teve atitude, foi muito defensivo, com apenas um atacante, e a única coisa que soube fazer foi bater no adversário.
Mas a Argentina foi inteligente, jogou um futebol limpo, teve atitude, foi melhor o tempo todo, e definiu o jogo com muita tranquilidade. Dá gosto de ver eles jogarem, são dedicados, buscam o gol e merecem estar na final. Já o Brasil, disputa o bronze contra a Bélgica, e não duvido se a seleção menosprezar esse jogo e acabar perdendo.
Afinal, um time que tem Dunga no banco não pode esperar muita coisa. Um treinador, que precisando da vitória, troca um atacante por outro, não pode treinar uma seleção. O Brasil não é seleção para se segurar e ficar com medo do adversário, não é time para jogar com apenas um atacante quase o jogo inteiro. É time para jogar para frente, pois tem talento.
O único que se salva no jogo de hoje é o goleiro Renan, que ainda evitou, ou tentou evitar, vexame maior. O Rafael Sóbis também não pode ser criticado, pois ficou isolado, e quando recebeu bola, ainda mandou na trave. O Ronaldinho, que deveria ter chamado a responsabilidade, mais uma vez não chamou, continuou na sua zona morta do campo, sem se apresentar para o jogo, e sem objetividade quando pegava na bola.
Creio que todos os brasileiros querem um técnico mais bem preparado para dirigir a seleção, mas ainda acho que o Dunga continua no cargo até sofrer mais alguns vexames nas eliminatórias. Ou quem sabe ficar até a próxima Copa do Mundo, e fazer um novo vexame. Mas isso é apenas achismo... Vamos esperar.
E a seleção principal nas próximas semanas já tem jogos valendo pela eliminatória, inclusive aqui no Brasil. Onde, certamente, terá muita vaia da torcida para o treinador e alguns jogadores brindados, pois a torcida não é boba como muitos pensam.
Resta para o Brasil, disputar o bronze, que provavelmente será um jogo chato, e ver a Argentina na final, onde, eu tenho certeza, que irá jogar novamente, futebol verdadeiramente bonito de ver. Ou seja, futebol pra frente, objetivo e com atitude. E não um futebol cadenciado e feio.
Conceitos do Brasil: Exceto o Renan que foi bom, o Sóbis e os dois laterais que foram regulares, o resto foram péssimos.
Conceitos da Argentina: Ótimo para todos, que jogaram um futebol bonito e limpo. Em especial, Messi e Agüero, dois craques.
Direto da Redação
Redator: Pedro Silas
pedro_sccp@yahoo.com.br
O Brasil precisa, urgente, transformar bons jogadores em time, caso contrário, continuará dependendo da individualidade de seus "craques" ou, o mais correto, de seus psedocraques. Para isso, é fácil: troque a peça chave: quem manda!!!
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