* Seleção conquista a Copa das Confederações depois de começar com desvantagem de dois gols. Luís Fabiano (dois) e Lúcio garantem o vira-vira
Se o lema dos americanos era “Yes, we can” (“Sim, nós podemos), imortalizado pelo presidente Barack Obama, a seleção de Dunga mostrou que é brasileiro e não desiste nunca. Após sair perdendo por 2 a 0 no primeiro tempo, virou na etapa final e conquistou neste domingo a Copa das Confederações pela terceira vez na história (ganhou também em 1997 e 2005) com a vitória de 3 a 2 sobre os Estados Unidos no estádio Ellis Park, em Joanesburgo.
A temperatura na África do Sul marcava 7ºC, com sensação térmica de 2ºC. Frio, assim como será na Copa do Mundo de 2010. Mas uma final quente, movimentada, e que os sul-africanos esperam ver novamente no ano que vem. No primeiro tempo, dois gols americanos: Dempsey e Donovan. Na etapa final, três gols brasileiros: dois de Luís Fabiano, artilheiro do torneio com cinco, e um de Lúcio, que pela primeira vez levantou a taça como capitão do Brasil.
Poderia ter tido mais, caso o bandeirinha Henrik Andren tivesse marcado um de Kaká, também após o intervalo: a bola cruzou a linha antes de o goleiro Howard pegar, mas o auxiliar não viu e o árbitro sueco Martin Hansson mandou o lance seguir.
Com o título, o Brasil passa a ser o maior campeão nas duas competições oficiais da Fifa de futebol profissional: cinco Copas do Mundo e três Copa das Confederações (a França tem duas conquistas).
Campeões das Copas das Confederações anteriores Ano / Local | Campeão | Vice | 3º Lugar |
1992 / Arábia Saudita | Argentina | Arábia Saudita | EUA |
1995 / Arábia Saudita | Dinamarca | Argentina | México |
1997 / Arábia Saudita | Brasil | Austrália | República Tcheca |
1999 / México | México | Brasil | EUA |
2001 / Japão - Coréia do Sul | França | Japão | Austrália |
2003 / França | França | Camarões | Turquia |
2005 / Alemanha | Brasil | Argentina | Alemanha |
Em 45 jogos com o técnico Dunga, são 31 vitórias, 10 empates e apenas quatro derrotas. Com os dois gols deste domingo, Luís Fabiano virou o artilheiro da era Dunga, com 16, um a mais que Robinho.
EUA largam na frente
O time canarinho deu dez chutes a gol. Nenhum entrou. Os americanos deram quatro, dois no fundo das redes de Julio César. A seleção treinada por Bob Bradley abriu o placar aos dez minutos: Spector cruzou da direita, Dempsey pegou meio sem jeito de primeira, o suficiente para enganar o boleiro brasileiro e fazer 1 a 0.
O Brasil teve boa chance para empatar aos 12. Kaká deu belo drible de corpo em DeMerit e achou Robinho sozinho na esquerda, o camisa 11 avançou e bateu forte, mas Howard salvou. Foi a primeira das cinco defesas do goleiro americano na etapa inicial. O americano é o arqueiro que mais defendeu bolas na Copa das Confederações.
Os EUA responderam dois minutos depois, em duas cobranças de escanteios perigosas. Com a vantagem no placar, o time americano se fechava quando o Brasil atacava com 11 jogadores da intermediária para trás. A solução do time de Dunga era fazer cruzamentos, facilmente cortados pela defesa
Aos 24, Felipe Melo arriscou de longe e Howard voltou a defender. Aos 25, Kaká tocou de calcanhar para Maicon pela direita e o lateral bateu cruzado, forte, mas o goleiro salvou de novo. E foi de Maicon o erro que originou o segundo gol americano. Aos 26, o camisa 2 saiu jogando errado no ataque, os Estados Unidos saíram rapidamente no contra-ataque com Donovan. O camisa 10 tocou na esquerda para Davies, que devolveu para Donovan driblar Ramires e bater sem chances para Julio César.
Gol relâmpago no segundo tempo dá esperança ao Brasil
Perdendo por 2 a 0, o Brasil continuava com maior posse de bola e arriscava de todas as maneiras. Robinho chutou de fora da área, Howard salvou. André Santos tentou dentro da área, Howard salvou. Luís Fabiano mandou de cabeça, a bola foi para fora.
No segundo tempo, foi a vez do time de Dunga marcar logo. E põe logo nisso. No primeiro minuto, Maicon cruzou da direita, Luís Fabiano dominou, virou em cima de DeMerit e bateu bem, finalmente furando o bloqueio de Howard: 2 a 1 para os EUA. O Fabuloso chegou a quatro gols e virou o artilheiro isolado da Copa das Confederações.
O Brasil passou a pressionar atrás do empate. Aos 12, Lúcio tocou de cabeça e Howard salvou. Dois minutos depois, o lance mais polêmico da partida. Após cruzamento da esquerda, Kaká cabeceou e o goleiro americano tirou quando a bola já havia cruzado a linha. O árbitro sueco Martin Hansson e o bandeirinha Henrik Andren não deram o gol.
Nos contra-ataques, os americanos voltaram a assustar o time de Dunga. Primeiro, Donovan chutou de fora, Julio César pegou. Em seguida, foi a vez de Dempsey bater forte para defesa do goleiro brasileiro.
Daniel Alves volta a entrar na lateral esquerdaDunga mexeu na seleção e colocou Daniel Alves e Elano em campo, nos lugares de André Santos e Ramires. O Brasil ficou mais veloz. Mas Howard continuava inspirado: aos 25, Elano achou Luís Fabiano entre a zaga, o artilheiro invadiu a área e o goleiro americano chegou junto para evitar o empate.
Aos 29, Kaká caiu para a esquerda e Robinho pela direita. Deu certo. O novo craque do Real cruzou, o camisa 11 ficou sozinho na área e acertou o travessão, no rebote Luís Fabiano marcou e empatou a partida: 2 a 2. O quinto do artilheiro do torneio, alcançado a média desejada de um por jogo.
Lúcio decide a paradaOs americanos acusaram o golpe e o Brasil foi com tudo em busca da virada. Após blitz na área, Robinho recebeu na meia-lua, cortou para a direta e soltou uma bomba que saiu raspando o travessão de Howard.
Aos 39 minutos, o Brasil chegou à virada. Elano bateu escanteio da direita e Lúcio subiu no segundo pau para testar firme, sem chances para Howard. Muita festa dos brasileiros, que esperaram pelo apito final e comemoraram o título em Joanesburgo.
Ficha técnica EUA 2 x 3 BRASIL |
Howard, Spector, Onyewu, Demerit e Bocanegra; Clark, Feilhaber (Kljestan), Dempsey e Donovan; Altidore (Bornstein) e Davies. | Julio César, Maicon, Lúcio, Luisão e André Santos (Daniel Alves); Gilberto Silva, Felipe Melo, Ramires (Elano) e Kaká; Robinho e Luís Fabiano. |
Técnico: Bob Bradley. | Técnico: Dunga. |
Gols: Dempsey, aos 10, e Donovan, aos 27 minutos do primeiro tempo; Luis Fabiano, a 1 minuto e aos 29, e Lúcio, aos 39 minutos do segundo tempo. |
Cartões amarelos: Bocanegra (EUA), André Santos, Lúcio e Felipe Melo (BRA). Cartão vermelho: -. |
Estádio: Ellis Park, Joanesburgo. Data: 28/06/2009. Árbitro: Martin Hansson (SUE). Auxiliares: Henrik Andren (SUE) e Fredrik Nilsson (SUE). |
Público presente: 52.291 pessoas |
Fontes: Globo.com e TerraComentário da RedaçãoTítulo para reconquistar o torcedorA Copa das Confederações não é prioridade para nenhuma seleção, o objetivo obviamente é vencer a Copa do Mundo. Mas é sempre importante vencer as competições, e melhor ainda é vencer do jeito que venceu. Uma virada sensacional. E já deu para sentir que o povo voltou a vibrar com a seleção.
No primeiro tempo não faltou vontade, mas faltou qualidade e a tão confiável zaga da seleção estava muito exposta. O Luisão é bom jogador, mas não chega aos pés do Juan. Já na segunda etapa, raça, talento e muita determinação não faltaram e a seleção brasileira conseguiu vencer um jogo que parecia perdido.
Luís Fabiano conseguiu seu objetivo, ser artilheiro da Copa das Confederações. Além disso, conquistou o torcedor, que já o coloca como o camisa 9 absoluto da seleção. Realmente se encaixou como uma luva nesse time. Se chegar bola boa nele, pode esperar que tem gol.
Kaká foi eleito o craque da competição. Ele foi bem mesmo, mas o Lúcio merecia mais. Jogou muito o capitão. Foi muito legal que ele tenha marcado o gol do título. Ao lado do Juan ele forma uma dupla de zaga de respeito. Talvez a melhor do mundo.
Insisto, pelos jogadores que tem o Brasil ainda pode jogar mais e unir a técnica e o jogo bonito com a eficiencia que essa equipe tem. Hoje ficou ainda mais claro que mesmo com três volantes em campo quem tem que salvar mesmo são os dois zagueiros e o Júlio César, pois a defesa fica exposta. Então que coloque um meia para ajudar o Kaká na ligação ao ataque. E deixa o time com apenas um volante de contensão e outro que saia mais.
O Dunga (ou o Jorginho, pois dizem que ele é quem entende lá) tem sim méritos nesses resultados que vem obtendo, mas ainda não passa confiança e na maioria das vitórias quem decide mesmo é o talento dos brasileiros, porque o treinador insiste sempre em jogar com todo mundo atrás e só o Kaká, o Robinho e o Luís Fabiano na frente. Na Copa do Mundo seria fundamental ter um outro esquema mais leve, para não ficar previsível.
ConceitosJúlio César - BOM: Não teve culpa nos gols, e no pouco que foi exigido foi bem mais uma vez.
Maicon - REGULAR: Errou alguns cruzamentos e não foi bem defensivamente, mas teve boa saída.
Lúcio - ÓTIMO: Já jogou mais em outros jogos (não que tenha ido mal hoje), mas pela competição é ótimo. Ninguém melhor que ele para fazer o gol do título.
Luisão - REGULAR: Não me agradou. Vinha jogando bem, mas hoje achei lento.
André Santos - REGULAR: Assim como o Kléber, se mostrou muito burocrático. Ele não é assim no Corinthians, costuma arriscar, partir pra cima, mas pareceu tímido. Mesmo assim, fez uma boa competição e pode ter garantido uma vaguinha, pelo menos no elenco, para os próximos jogos.
(Daniel Alves) - BOM: Entrou bem na esquerda. Pode ser uma aposta na posição que anda carente.
Gilberto Silva - REGULAR: Até melhorou na saída de bola e não fez uma competição ruim, mas fez mal sua função, deixando a zaga exposta.
Felipe Melo - BOM: Boa aposta que o Dunga fez. Bom jogo do Felipe, que além de sempre ser eficiente na marcação, arriscou no gol, coisa que pouco se faz muitas vezes.
Ramires - REGULAR: Importante somente pela correria, porque hoje foi muito mal. Pareceu nervoso, errou muitos passes.
(Elano) - BOM: Entrou bem, deixou a seleção melhor, com mais qualidade no passe e pode ter deixado o Dunga com uma pulga atrás da orelha.
Kaká - ÓTIMO: Chamou a responsabilidade mais uma vez e comandou a virada.
Robinho - REGULAR: Mais uma vez pecou na individualidade em certos momentos. Não vem jogando bem, mas tem lugar cativo...
Luís Fabiano - ÓTIMO: É pouco valorizado, mas joga muito. Ele tem estrela, objetividade, e sabe finalizar como poucos.
Direto da RedaçãoRedator: Pedro Silaspedro_sccp@yahoo.com.br