Visão santista > O que dá esperança ao Santos?
por Ricardo Pilat - pilatportasio@gmail.com

O torcedor santista acordou com a cabeça inchada nesta quinta-feira. A derrota diante do Corinthians em plena Vila Belmiro, na semifinal da Copa Libertadores, foi um duro golpe e difícil de ser assimilado. Mas ele terá de ser! Em uma semana, o Peixe tem a chance de reverter no Pacaembu e existem razões para acreditar.
O Timão está de parabéns pela vitória de ontem. Fez um jogo quase perfeito, com cara de campeão da Libertadores. Anotou um gol no primeiro tempo e depois jogou no erro santista, marcando muito forte e sem individualizar em jogadores específicos como Neymar (de quem falo mais adiante). Nas bolas que sobraram mais limpas no segundo tempo, lá estava Cássio para fechar o gol.
O único erro do Corinthians, na minha opinião, é a tendência eterna na era Tite de jogar no limite do resultado. Fez 1 a 0 e recuou muito, especialmente no segundo tempo. Tiros de meta, faltas e laterais eram cobrados depois de uma eternidade. Não acredito que fosse o momento de pensar tanto em segurar o resultado. Isso antes da expulsão do Sheik (justa, a meu ver), porque com um a menos essa tendência era natural.
Nada me faz crer que a postura será diferente no Pacaembu. Novamente veremos o Corinthians recuado e o Santos atacando, mesmo que desordenadamente como fez na Vila. Mas um gol santista já deixa tudo igual e pode complicar o esquema corintiano. Não é uma vantagem tão grande assim, ainda mais se tratando de um clássico.
E falando sobre a tal atuação do Santos especificamente, muitos dirão que o maior problema foi o mau futebol de Neymar. Não concordo 100%, mas passa por isso sim. Faz algumas partidas que o camisa 11 vem mal. E dessa vez não teve marcação específica como diante do Vélez, por exemplo. Faltou movimentação e atitude ao craque, mas já vimos esses atributos nele em outros jogos decisivos, por isso não é justo que o torcedor do Santos coloque a culpa nele. O time inteiro não se encaixou e ficou refém da marcação do Corinthians.
Quem jogou muita bola, quase solitário, foi PH Ganso. Ele surpreendeu a todos, atuou 90 minutos e não sentiu as dores após a cirurgia no joelho. Mas ele era um bom arco, sem flechas inspiradas para ajudar. O Corinthians tinha 10 jogadores marcando dentro da área ou na entrada dela, e estava difícil para que ele pudesse colocar algum atacante na cara do gol como costuma fazer.
Para o segundo jogo, acredito que Muricy deve arriscar a equipe com 3 atacantes, como fez na etapa final, quando o Santos melhorou e criou alguma coisa, mesmo que pouco. São as alternativas para tentar o que parece muito difícil... e é mesmo.
Conceitos
Rafael - REGULAR: Praticamente não participou do jogo. Era indefensável o chute do Emerson.
Henrique - PÉSSIMO: Não marcou ninguém (principalmente o Emerson, no lance do gol) e foi muito mal no apoio.
Edu Dracena - BOM: Muito guerreiro, lutou o tempo inteiro. Até na área se arriscou no final da partida.
Durval - BOM: Idem ao de cima. Quase marcou o gol de empate.
Juan - RUIM: Tentou ir ao ataque, se dedicou, mas estava errando tudo.
Arouca - BOM: Fazia uma boa partida, mas não aguentou fisicamente o ritmo e teve de ser substituído.
(Felipe Anderson) - PÉSSIMO: Jogou pouco mais de 10 minutos, o suficiente para lembrar a torcida do Santos que não dá para contar com ele.
Adriano - ÓTIMO: O melhor em campo pelo lado santista. Brigou durante os 90 minutos, se arriscou no ataque e merecia sorte melhor.
Elano - PÉSSIMO: Uma atuação digna de pena. Quem achou que ele já tinha se recuperado, deve ter mudado de ideia.
(Borges) - REGULAR: Sua entrada deu ao time mais alternativas de ataque, mesmo sem brilhar. Conseguiu algumas finalizações, mas sem sucesso.
PH Ganso - BOM: Nem parecia que fez uma cirurgia no joelho havia 19 dias. Jogou 90 minutos e tentou comandar um time que dava poucas opções a ele.
Neymar - PÉSSIMO: Errou tudo que tentou. Foi estático, burocrático e apático. Faz tempo que não joga bem e, não é coincidência, o Santos também não.
Alan Kardec - RUIM: Ficou sem função durante o jogo inteiro.
(Dimba) - SEM CONCEITO: Entrou nos acréscimos.
Tec.: Muricy Ramalho - REGULAR: Fez uma boa alteração no intervalo, o time melhorou, mas depois fez opções equivocadas. O Henrique não jogou nada e faltava um lateral mais incisivo. Mesmo não sendo craque, o Maranhão merecia entrar no jogo. Bem mais que o Felipe Anderson.
Visão corintiana > Time de Libertadores, Corinthians fica perto da final
por Pedro Silas - pedro_sccp@yahoo.com.br

Copeiro, raçudo, guerreiro... um verdadeiro time de
Libertadores! Esse é o Corinthians que conquistou vitória brilhante
sobre o Santos na Vila Belmiro. O 1 a 0 não decide o duelo, até porque
um triunfo simples no jogo da volta bastaria para o Santos no mínimo levar para os
pênaltis, no entanto, não dá para negar que a vaga na final fica bem
perto do Parque São Jorge.
Além de jogar em casa, com o
apoio da Fiel e toda a atmosfera a favor, eu não consigo imaginar outra
coisa que não seja a mesma postura do jogo de ontem. Ou seja,
uma equipe solidária, se redobrando em campo, mostrando raça em cada
dividida e marcando como se fosse o último jogo da vida de cada um.
O primeiro tempo foi perfeito. Uma aula de como esfriar o
adversário e sua torcida. Marcação implacável, concentração total e uma
frieza impressionante. E ficou do jeito que os visitantes queriam quando Emerson recebeu passe de
Paulinho e teve a frieza já citada e muita categoria para acertar um chute
raro, no ângulo. Um golaço histórico na Vila!
Jogando sem um atacante de referência, o meio-campo corintiano avançou a
marcação e conseguiu ter espaço para trocar passes com tranquilidade.
Um espaço, aliás, que poderia ter sido melhor aproveitado, como no lance
do gol. Quem deveria ter feito o time chegar com mais perigo e fez
justamente o contrário foi o Alex. Centralizado na frente, a bola passou
muito pelos seus pés, mas o meia esteve abaixo tecnicamente e
desperdiçou praticamente todos os ataques.
Precisando ganhar presença ofensiva, Muricy tirou
Elano e colocou Borges no intervalo. Isso significava mais atenção de
Ralf, Chicão, Castán e cia., porém, fatalmente sobraria mais espaço no
meio-campo, sobretudo pelo lado esquerdo, de Emerson. E assim como no
primeiro tempo, o atacante foi o protagonista da etapa final.
Primeiro,
poderia ter definido o confronto, mas errou a passada e caiu no chão -
alegou pênalti, mas não houve. Mais pra frente, deu entrada burra,
completamente desnecessária, em Neymar e foi expulso (segundo amarelo). O campeão brasileiro já havia passado a jogar recuado desnecessariamente e, obviamente, abdicou do ataque por completo com um homem a menos.
Aos 37 minutos, a energia caiu na Vila, e quando voltou o Timão, recuado, esperava o apito final. A marcação continuou atenta e o que passou da defesa o gigante Cássio, que ainda não tomou
gols na Libertadores, garantiu. Agora, basta o goleiro continuar invicto
nos próximos 90 minutos de jogo para o Corinthians garantir a inédita
vaga na final do torneio sul-americano. Falta pouco!
Conceitos
Cássio - ÓTIMO: Frio, passou confiança demais e fechou gol.
Alessandro - BOM: Não precisou marcar tanto o Neymar porque o santista não caiu por ali, mas jogou (marcou) direitinho o lateral-direito.
Chicão - BOM: Atuação segura do zagueiro.
Leandro Castán
- ÓTIMO: Bem demais na marcação, posicionamento, saída de bola e até
mesmo nas investidas ao ataque... o camisa 4, além de regularidade de
alto nível, cresce em decisões.
Fábio Santos - BOM: Se doou
o tempo inteiro e marcou muito bem. Ganhou confiança e cresceu muito o
lateral-esquerdo desde que chegou ao Parque São Jorge.
Ralf - ÓTIMO: Deu suporte para a zaga e foi bem com a bola nos pés também.
Paulinho - ÓTIMO: O motor do time, como de costume. Bela arrancada e passe para o Sheik no gol.
Danilo - BOM: Não foi brilhante, mas jogou para o time. Ajudou a esfriar o jogo nos momentos certos.
Alex - RUIM: Teve espaço e não aproveitou. Matou os ataques que passaram pelos seus pés.
(Wallace) - SEM CONCEITO: Entrou depois do apagão para preencher mais o campo defensivo nos minutos finais.
Jorge Henrique - RUIM: Mais uma vez foi figura nula ofensivamente. Muitas trombadas e pouco futebol.
Émerson -
ÓTIMO: Golaço e muita garra, acompanhando e voltando para marcar pelo
lado esquerdo. Nem a expulsão mancha a belíssima atuação do Sheik. Vai
fazer falta na volta.
Téc: Tite - ÓTIMO: Já o critiquei em muitos aspectos, mas o que falar dessa campanha e da
brilhante vitória na Vila Belmiro? O Corinthians nunca foi tão... time
de Libertadores!
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